O transplante pulmonar é uma opção terapêutica cada vez mais frequente em doenças pulmonares em estádio terminal. Uma das principais causas de falência do enxerto, a médio e longo prazo, é a rejeição crónica, traduzindo-se sob a forma de síndrome de bronquiolite obliterante. O diagnóstico precoce desta entidade permite otimizar a terapêutica imunossupressora, limitando a sua progressão. Este trabalho reúne, discute e ilustra as características da rejeição crónica dos enxertos pulmonares na tomografia computorizada de alta resolução, com o objetivo de facilitar o seu reconhecimento em exames de seguimento e, promover o diagnóstico precoce desta entidade. Numa fase precoce, durante o primeiro ano após o transplante, alterações subtis como a redução das marcas broncovasculares periféricas, o espessamento das linhas septais e a diminuição do volume pulmonar podem indiciar o seu diagnóstico, mesmo antes do aparecimento de alterações clínicas. A médio prazo, aquando do diagnóstico clínico, podem observar-se bronquiectasias e espessamento brônquico, características com baixa sensibilidade, mas de alta especificidade no diagnóstico da rejeição crónica. As alterações da atenuação pulmonar surgem em fases mais avançadas desta síndrome, evidenciando padrão de retenção aérea por obstrução das pequenas vias respiratórias, associado a padrão de atenuação em mosaico, condicionado por alterações da ventilação-perfusão. Tardiamente, a rejeição crónica do enxerto caracteriza-se por alterações fibróticas do parênquima pulmonar com importante repercussão funcional. A tomografia computorizada de alta resolução tem ajudado a ultrapassar as limitações dos critérios clínicos no diagnóstico da síndrome de bronquiolite obliterante e promovido o diagnóstico mais precoce da rejeição crónica dos enxertos pulmonares.
Unitermos: TC; Transplante pulmonar; Rejeição de transplante; Bronquiolite obliterante
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